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A paz do Senhor Jesus Cristo. Hoje é

terça-feira, 9 de abril de 2013

Conjecturas, contos e estórias.

Anteriormente eu escrevi sobre conjecturas e seu perigo nos nossos púlpitos e como tenho ainda ouvido muito comentários sobre o assunto, resolvi fazer mais este texto e "esclarecer" algumas dúvidas.


Para começo de conversa: conjectura significa juízo fundado em indícios e probabilidades, mas que não é fato comprovado; algo presumido, hipótese, suposição, inferência, possibilidade, especulação, afirmação aparentemente válida mas não atestada, afirmativa não-verificada ou não-verificável, teoria não confirmada, alegação verossímil, plausível, que pode ser factual ou não.


 
 Não é errado fazer conjecturas desde que não as usemos para fundamentar doutrinas e práticas, expliquemos ao ouvinte ou leitor que aquele ponto é uma conjectura em vez de expressá-la como sendo algo que a Bíblia afirma e que as conjecturas não ocupem tempo e atenção demais nas nossas meditações e explanações. Recentemente ouvi uma conjectura que me doeu aos ouvidos: Davi era filho bastardo de Jessé! Quase cai para trás ao ouvir tamanho absurdo e o preletor ainda repetiu diversas vezes para enfatizar que Davi fora criado em iniquidade e a iniquidade foi o fato (conjectura) do relacionamento extra-conjugal de seu pai Jessé. O pior foi que o (desculpe-me pela expressão) "descarado" do Preletor uso o texto de Salmos 51 v.5, quando Davi diz que em iniquidade foi formado. Aprendi que se trata da formação do homem e de seu pecado, da formação adâmica.
 Li que certo Pastor teve  a infelicidade de ouvir um pregador manipular descaradamente o texto de 1Reis  18 vv. 41-45, que versa sobre Elias orando por chuva, após o confronto com os profetas de Baal e Asserá . Ele disse que Elias ofereceu o melhor (a água que estava escassa, afinal há muito não chovia) como sacrifício a Deus, durante o confronto com os profetas de Baal e Asserá  e que, segundo ele disse com tanta certeza, foi essa água que evaporou e formou a pequena nuvem “que se levanta do mar [...] do tamanho da mão dum homem” (v. 44), trazendo uma abundante chuva. A conclusão dele foi que a oferta (do melhor) foi a causa da chuva e, se alguém quisesse uma abundante chuva (de bênçãos) deveriam ofertar com o melhor. É claro, que o significado original do texto e tão pouco sua contextualização (o que significa para nós hoje) não diz nada disso. O texto, de maneira clara, afirma que a chuva veio como resposta à oração de Elias (vv. 42-44).
 Outra conjectura comum  ocorre quando alguns pregadores  têm sugerido, especulativamente é claro, que o sinal que Deus colocou em Caim foi a cor negra, que acabou dando origem ao povo africano. Essa teoria, porém, é completamente destituída de fundamentação bíblica e de comprovação histórica. Para entendermos melhor o assunto, devemos reconhecer, em primeiro lugar, que esse sinal não foi um sinal de maldição, mas de proteção. Foi somente depois de amaldiçoado pelo assassinato de seu irmão Abel (Gênesis 4 vv.8-12) que Caim recebeu de Deus sinal, “para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse” (Gênesis 4 v. 15). Devemos lembrar também que a raça humana pós-diluviana derivou dos três filhos de Noé (Gênesis vv.  7 13; 10 vv. 1-32), que eram descendentes de Sete (veja Gênesis capítulo 5) e não de Caim, o que elimina praticamente a possibilidade da perpetuação de qualquer característica genética de Caim. Quer esse “sinal” (em hebraico ‘oth) tenha sido realmente uma marca visível colocada sobre a pessoa de Caim, como querem alguns, ou apenas um sinal a ele mostrado como garantia de proteção, como sugerem outros, o certo é que não dispomos de informações suficientes para identificá-lo mais precisamente. Isso significa que toda e qualquer tentativa de uma identificação exata desse sinal não passa de mera conjectura artificialmente imposta ao texto bíblico.
Existem muitas outras conjecturas perigososas ao crescimento e  muitas formas "incorretas" de interpretar e principalmente de "acrescentar"  situações, lugares, roupas, pessoas, usos e costumes ao texto bíblico. A verdade é que devemos ser como os cristãos de Beréia (Atos 17 v.11).
Que o amor de Deus que excede todo o nosso entendimento seja derramado sobre a sua vida e de sua família em nome de Jesus Cristo. Amém!